Abstract :
[pt] Diferentes campos das Relações Internacionais compartilham duas suposições centrais sobre a atual ordem global. Concorda-se que a hegemonia dos EUA dentro do sistema internacional tem declinado e que novos desafiantes surgiram, principalmente desde o início da guerra na Ucrânia e o aumento das hostilidades entre China e EUA na Ásia (CHARLEMAGNE, 2008; KUPCHAN, 2012). No entanto, dualidades artificiais são recorrentemente instrumentalizadas, como se tudo ou nada estivesse
mudando (BROOKS; WOHLFORTH, 2015, p. 8). Isso torna-se especialmente verdade quando se crê numa intrínseca necessidade de evitar que a decadência hegemônica estadunidense ocorra, não importando o custo para tal (IKENBERRY, 2004, p. 661; 2008). Sem contar que, recorrentemente, análises estruturais utilizam-se de precedentes históricos europeus como bases explicativas fundamentais para interpretar a ordem internacional atual (ACHARYA, 2014, p. 11; FERGUSON,
2009; HAAS, 2008), o que pode ser enganoso, já que a atual ordem possui nuances mais complexas do que os anteriores. Em decorrência disso, acreditamos que a Economia Política Internacional (EPI) com enfoque gramsciano tem o condão de superar ambos os desafios: primeiro, fornece noções mais complexas e fluidas de hegemonia; segundo, faz uso de uma abordagem histórica a partir de lapsos
temporais mais extensos.